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Mostrando postagens de novembro 6, 2005

Billy Elliot

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Garoto de 11 anos mora em uma pequena cidade na Inglaterra. Billy rodeado pelas aflições de seus familiares tem que enfrentar suas aulas de boxe que odeia. No entanto, felizmente ele tem a sua salvação nas aulas de balé que troca para sentir-se de alguma forma mais adequado em termos de seu corpo inadequado para o boxe. Sua professora é uma mulher que fuma compulsivamente e dá aulas de balé para meninas que demoram a acertar os passos. Ela vê um grande talento em Billy e começa a treiná-lo. Seu pai vai contra o seu sonho e diz que o balé é para meninas e não para meninos. Meninas talvez sejam mais delicadas em seus gestos, mas definitivamente Billy contraria as regras da tradição e dança gostosamente. A dança seria um "desaparecimento de si", uma ausência de seus problemas conflituosos, de sua busca de si, de sua angústia, seua solidão, sua fragilidade. Parece ter fogo queimando, eletricidade nos pés, paixão. Dançar é uma forma de esvaziamento, de perder-se, entregar-se, sone...

Energia Pura

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Gostaria de falar sobre esse filme que me toca de maneira diferente cada vez que é visto. Filmes são úteis não apenas para esquecermos por algumas horas a realidade em que existimos, mas também para a reflexão de atos similares aos nossos, nos vermos, por vezes, na tela que parece retratar muito bem nossos estados de seres humanos sempre em busca de soluções para nossos conflitos. O filme "Energia Pura" mostra um garoto muito especial vivendo escondido no porão da casa de seus avós. O que fez para viver marginalizado? Absolutamente nada. Na verdade, ele nasceu com uma aparência bizarra para os padrões saudáveis. Ele não tinha pêlo nenhum no corpo e sua pele não tinha coloração, deixando-o branco e pálido, além de seus olhos acizentados. Quando no ventre da mãe foi atingido por um raio que o eletrizou e o parto foi difícil para sua mãe levando-a ao óbito. Seu pai, a partir de então o rejeitou como filho. Mas o que tinha ele de tão especial? Ele tinha uma memória inacreditável,...

Teus olhos

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Acordei em me vi com teus olhos. Tomando os olhos do outro passo a ver-me com uma forma diferente da minha. Mostro-me preocupada com o que vejo e fecho subitamente os olhos. Não quero enxergar o que vejo e não quero ver o que nunca pensei sobre mim. Dá-me olhos que não mintam sobre a minha imagem. Mostra-me o que sou o que posso construir com a minha essência. Sopra o teu fôlego sobre a minha boca e assim viverei a tua vida em mim. Quero ver-me imponente por sobre as opiniões que não aceito. Quero ver-me como uma lua iluminando a noite escura e fria. Sonho ser tua e que o que és seja também o que sou. Essa união perfeita mostrasse-á forte e assim violará todas as inverdades que não mais serão ditas.

A verdade

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Viagens nem sempre são dádivas. Os acontecimentos por eles mesmos não trazem consolo. Concluí que a única resposta à crises indefinidas é a prática da verdade. Não aquela imbuída de insultos e desaforos, mas aquela que deve ser dita com cuidado e singeleza. A verdade pode curar como também pode trazer malefícios que gradualmente vão se tornando bons. A verdade é a virtude do não fingimento, da não falsidade, é o apego a valores maiores do que os que estão aí prontos para serem comprados a preço barato, e dispensados rapidamente quando a verdade os mostra inúteis. Os valores como a etiqueta e os bons modos podem valer para regular comportamentos que não trariam uma humanização da sociedade, mas, a verdade é o valor que reduz os homens e sua cultura em algo tão pequeno que acaba por levar a pensamentos bem mais complexos. A verdade reduz os homens. E é por isso que ela é tão rejeitada. A verdade não ornamenta o mundo, não o sensibiliza, não o mostra tão belo como em festas enf...

Peixes

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Clarice com sua introspecção aguda ultrapassa as fronteiras do querer e chega a suportar sérias contradições que insiste abrigar. Clarice é uma mulher vaidosa, formosa e suculenta. Ela pensa que por ser um ser inspirado pode chegar ao sobrenatural sem muito esforço. Clarice é um ser essencialmente escrito em linhas tortas tentando endireitá-las para que um dia possa andar em linha reta ao invés de labirintos sombrios. Andar diretamente rumo a um abrigo é o que faz Clarice sobreviver, ela anda pela tempestade chorando de paixão, e encontra passarinhos, diversos seres alados a sobrevoar o céu. Ela pensa que as asas são extensões que ela mesma gostaria de possuir pois as asas são instrumentos para um vôo prolongado. Os pássaros ficam cruzando o céu, fazendo piruetas perigosas, sem medo algum do ar, o ar os sustenta com tamanha precisão que não importa, há um equilíbrio entre a asa e o ar, entre um pássaro e outro, como uma grande sinfonia que não pára nunca de fluir música. Clarice pensa ...

Sincronicidade

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Continuando a falar sobre eventos sincrônicos. O povo judeu tem estado em meus pensamentos ultimamente, mas como eu comecei a pensar no judaísmo? Bem, sou de família cristã, e as histórias bíblicas sempre estiveram na pauta de meus estudos na igreja e em casa. Ouvi diversas histórias: a criação do mundo, Adão e Eva, Abraão, Moisés, Jonas, o dilúvio, só para citar algumas. O povo judeu segue a Torá que seria o velho testamento. Ou seja, há uma familiarização desde que me entendo por gente. Sempre histórias de superação e esperança. Então, já adulta, na faculdade de psicologia, estudando na mesma sala que um jornalista fotográfico ele me pergunta: Você é judia? Eu, estranhando a pergunta, digo que não. Penso: “Porque será que ele achou que eu era judia?” Pergunto a algumas pessoas a esse respeito e todos dizem que meu rosto tem algo de judeu. Outro evento seguinte: Eu,, sentada na faculdade, rindo e conversando com uma amiga e aparece um homem carioca andando, ele pára subitamente e vem ...

Gustav Klimt

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Esse pintor é um dos que mais me fascinam. Vi um de seus quadros e logo me apaixonei pelo artista. Tratava-se nada mais nada menos que: “ O beijo”. Tão delicado, tão soberbo simultaneamente. Gustav Klimt pintava figuras femininas de forma a exaltá-las. Usava um símbolo que mais parece uma língua de mariposa, isso mesmo, uma língua enrolada de mariposa que se desenrola na tentativa de se alimentar do mel das flores. Digo isso pois assisti a um filme em que o professor ensinava justamente isso ao aluno. Engraçado que eventos como esse são chamados “sincrônicos”, trata-se de uma sincronicidade, nunca ouviu falar? Bem, eventos assim são aqueles que sucessivamente vão se colocando na nossa vida de forma a um ter tudo a ver com o anterior e assim por diante. Por exemplo: Estava a pensar sobre o corpo feminino, como ele sempre foi motivo de contemplação, embora hoje haja uma banalização da mulher. Então tentava desesperadamente mudar meu ponto de vista em relação a esse evento. Então, assisto...

A história que quero contar

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A história que quero contar é um entrelaçamento, são histórias que se relacionam com as outras de maneira a uma se sobrepor a outra sem prévio aviso. È a história de uma mulher, uma pessoa que encontrou-se na literatura e começou a viver dela. As letras já não eram impressões fortuitas, não eram esquecimentos imediatos do que se acabou de ler cujo significado foge quando não se vê utilidade para ele. Não. As letras pularam dos livros e com elas o significado enobreceu-se, somado à realidade sufocante, os livros mostraram-se mestres da imaginação, da ilusão. O confortável assento em um sofá foi dono do sonho. Esse livro já o quero a tempos, já o desejo a todo o momento, é só abrir os olhos e os pensamentos saltam grotescamente querendo as páginas de algum caderno faminto pelas frases ainda não escritas. Nesse livro mesclam-se com pouca nitidez a ficção e a realidade, o conto e a crônica, a prosa poética, os não lugares comuns de uma época sombria. Bem, não é nada fácil escrever quando a...

Estrelas de papel

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Cordialmente invade o dia, subitamente caminha a aurora. Mínimos sonhos formam-se outra vez. A estrada pedregosa, de inúmeras pedras definidas em pedaços jogados aleatoriamente, a carcaça, a poeira. Dias concatenados de abismos, indefiníveis ventos fazem girar as folhas caídas das árvores gigantescas. O país é outro, o universo é diverso daquele primeiro suspiro. A respiração que deu origem à vida no cosmos. As pessoas como cordões oscilando tempestuosamente. Giram piões, rodando sobre si mesmos, enquanto crianças sorriem de “tamanho invento”. Brincadeiras sustentam afazeres, miúdas fortalezas fixam os pés no chão frio. Olhar o céu, esperança indefinida, inefável. Bondade da chuva caindo, de olhos fechados, pingos lentamente trazem o sentir afável nos olhos, na testa, no caos selvagem do corpo. E ela o espera como aguarda o nascer do sol. Ela prefere o nascer do que o pôr do imenso astro. Esse acabar-se o dia é o fim de uma jornada enorme, surda, fascinante. Quando avisto estrelas de p...

Besame mucho

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Beije-me, beije-me como se fosse a última vez. Beije-me enquanto fios de ouro enrodilham-se por sobre um mar de rosas. Um mar de sonoros cantos, beije-me enquanto a alvorada tarda e os dias mornos como pequenas esferas sonolentas dormem com cantigas de ninar. Abraça-me com força, enquanto a noite enorme engole o dia. Enquanto o verde ainda não cansou-se de sua cor, enquanto os raios ainda presos nas nuvens não soltam-se repentinos, enquanto os trovões não trazem a chuva. Enquanto ainda existo. 17:46

Dê cordas à sua imaginação

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Escrever sobre o processo de escrita é o que me toma no momento de um pessimismo persistente em que a imaginação ainda não evoluiu a ponto de falar sobre outros contextos. O processo não é nada fácil como o resultado final parece mostrar. É como ver um quadro já pronto, contemplar a sua já concluída formulação não é escolher as tintas, não é passar o pincel delicadamente por sobre a tela, não é ser tomado por algo desconhecido, não é esperar que a tinta fresca seque, é apenas um olhar. Claro, que o olhar de quem contempla, o segundo olhar, é muito importante. Mas não compara-se ao criar. Criar é o movimento, é o sopro de vida, é caos selvagem imprimido no corpo que encontra a arte de se mostrar por meio da pintura, por meio de uma replicação não muito lúcida do real, por meio de um vislumbre de um sonho nas tramas do inconsciente. A mudez diante da tragédia é uma vergonha. Fechar os olhos e não querer enxergar parece ser ainda mais trágico e ilusório. Acho que falar, ouvir e ver no mun...

Febre

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Alguns escritores dizem que a inspiração é diretamente ligada ao estado corporal. Hilda Hilst,por exemplo era levada por uma febre quando escrevia. Parece que todos os escritores, mesmo que pareça uma generalização arbitrária, têm fortes argumentos sobre o seu processo criativo, parece que todos estão em um período em que não apresentam tal febre, parecem isentos de fulgor, parece que a descoloração invadiu suas mentes antes iluminadas por diversas colorações. Esse período angustiante me atacou sem prévio aviso. Na vida, há imprevistos, não é verdade? Ou o imprevisto é a regra? Bem, em todos os momentos em que escrevi, e que gostei do resultado, foram momentos em que meu corpo inclinava-se a esse ato, quase como um formigamento nas pontas dos dedos pedindo o toque nas teclas, nas letras e que aquele instrumento posto na minha frente, aquelas páginas em branco na tela do computador, fossem preenchidos com os mais ocultos mistérios e elocubrações imaginárias possíveis. Me deixava levar p...

Passeios Imaginários

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Encontrei um escritor Nova Iorquino chamado Paul Auster. Alguns dos livros escritos por ele: Palácio da Lua, Leviatã, A arte da fome. Esse último descreve entrevistas e críticas feitas por esse admirável escritor. Pela entrevista dá para notar seu processo criativo, e o que percebo na imensa variedade dos escritores que conheço no decorrer do tempo, é que seus livros seguem determinada tendência, gênero, forma que ligam-se irremediavelmente às suas biografias e modos de pensar. Na entrevista Paul diz que é criticado por alguns por dizer que o que escreve não é literatura realista, o que pretende ser. Paul diz que tais críticos não devem viver então no mundo real já que esse mesmo lugar está cheio de surpresas cotidianas descritas nos seus livros, que tendem a ser uma mistura de realidade e ficção, sem ter uma linha como divisão desses dois lugares- comuns. O que me lembra um filme “walking life”, que trata sobre os sonhos e como é tênue a linha divisória entre o que é verdadeiro e o qu...

Praga

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Havia assistido um documentário sobre uma atriz famosa. Esse documentário me levou ao filme de François Ozon: oito mulheres. Adorei. Um filme com interpretações fortes feito por mulheres francesas. Como gosto disso! Certamente nasci no lugar errado, tenho alma francesa, tudo que seja europeu toca-me de forma inusitada. Ontem assisti um documentário sobre Praga, uma pequenina cidade Tchecoslováquia. Lá seus habitantes falavam poeticamente sobre o seu amor pelo lar onde haviam nascido. Falavam de sentimentos profundos, sobre como sentiam-se os habitantes dali. Uma mulher e seu relato chamou-me a atenção: ela disse que os que moram ali conhecem-se desde criança, cresceram juntos, os sentimentos que decorrem disso ainda não sei definir, pois não é a minha realidade, no entanto, ela disse algo: as pessoas que moram aqui vão de um humor ao outro muito rapidamente, algo que não acontece com outras pessoas, podemos estar tristes e num momento rir, ou estar rindo e bruscamente chorarmos. As pes...

Cuba

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Ontem me falaram de Cuba, fiquei pensando a respeito desse país distante. Hoje ao chegar na faculdade li a respeito em uma entrevista de um escritor e poeta exilado em Madri sob a ameaça de uma nova prisão em seu país de origem. Pensei que é preciso muita coragem para deixar o Brasil e se aventurar por novas terras. Os cubanos são um povo sofrido por anos de comunismo liderado por Fidel Castro. A entrevista dispõe sobre Cuba, o escritor afirma o que todo mundo diz, que Cuba é um país em que a educação é levada a sério, e que os índices de anafalbetismo são reduzidos. No entanto, toda a educação é voltada para o regime comunista, afim de legitimá-lo e vangloriá-lo. Leituras são proíbidas, e não deve haver contestações a respeito do regime. Contudo, o escritor diz que a democracia pode sim vir a ser instalada, mas apenas após a morte de Fidel, pois os jovens são entusiastas da democracia. O comunismo faz muito mal ao povo, já que muitos tentam a todo custo colocando suas vidas em risco a...