Tragicômico. Seria uma forma de definir John Currin. Com figuras caricaturais, a pintura do artista leva a sentimentos ambíguos sobre o horror do que vemos, corpos destituídos de perfeição, deformidades nos membros. Será que devemos rir? Há uma desarmonia, uma sensação de ironia, assombro, terror. O que nos leva a rir do que não entendemos? Penso que, talvez, a não- compreensão seja enfim uma dádiva. A falta faz o caminho mais longo, sem a completude, a complexidade nos guia. No entanto, o já feito, já concluído, nos deixa estáticos, como que plenos. Essa sensação de que nada precisa ser somado, como se todos os tijolos já estivessem no lugar, as parede lixadas, a pintura impecável, ou seja, a perfeição da casa, acaba nos levando à uma posição sofrível de espectadores infecundos. Se pelo menos o jardim tivesse que ser regado, se ao menos a porta precisasse de concerto, eu existiria. Se tenho apenas que sentar no sofá confortável e contemplar a mansão que me deram, minhas mãos fica...